quinta-feira, 28 de outubro de 2010

CASAMENTO E DIVÓRCIO


Como seria a vida conjugal de Romeu e Julieta, se os jovens apaixonados sobrevivessem à tragédia do amor proibido, assim retratado por Shakespeare, no famoso romance?
Apesar de se amarem tanto, o matrimonio seria realmente harmônico e longevo?
E se eles vivessem em nossa época, marcada pela revolução dos costumes?
Estariam livres dos problemas de uma vida a dois?
Temas como casamento e divórcio, relacionados à Lei de Reprodução, contida em O Livro dos Espíritos, das questões 695 a 697, sempre despertam reflexões importantes.
Nas eras primitivas, o consórcio entre os casais apresentava natureza semelhante ao dos animais irracionais, uma vez que prevalecia o estado de natureza, com a união promíscua e fortuita dos sexos, em que o ser humano não tinha o senso moral desenvolvido.
O advento do matrimônio inaugurou um dos primeiros estágios de progresso nas sociedades humanas, porque instituiu a solidariedade fraterna, pelo consenso de duas almas que se unem pelos sentimentos recíprocos de afeto e de amor para a assistência mútua e para a constituição da família.
A comunhão sexual entre as criaturas que, de fato, se candidatam à elevação moral, “traduz a permuta sublime das energias perispirituais, simbolizando alimento divino para a inteligência e para o coração e força criadora não somente de filhos carnais, mas também de obras e realizações generosas da alma para a vida eterna”.
A família é uma instituição sólida, que varou os milênios, porque é de origem divina, tal como o casamento, que se destina “não só à conservação da Humanidade, como também a oferecer aos Espíritos, que se unem no grupo familiar, apoio recíproco para suportarem as provas da existência”.
Buscando- se no espaço, os Espíritos programam reencarnações para, no mesmo grupo familiar, consaguíneo ou não, darem sequência a projetos redentores. Por tais motivos, não procede a opinião de que o casamento e a família estão condenados ao desaparecimento.
Muitos casamentos têm curta duração ou apresentam problemas de incompatibilidade entre os pares, porque, na atual fase evolutiva da Humanidade, a grande maioria das uniões conjugais sujeita-se à lei de causa e efeito, a qual reaproxima seres em ligações expiatórias ou provacionais, para dar continuidade a relacionamentos anteriores, proporcionando o resgate de erros pretéritos, com vistas à reabilitação e ao progresso moral.
Ultrapassada a fase de encantamento e afetividade que ocorre no início do união, a vida apresentará aos casados, nessas condições, certos desafios, de acordo com as necessidades de cada um.
Ignorando o clamor da consciência e desconhecendo a origem verdadeira de seus dramas, cujas raízes geralmente estão fincadas em reencarnações passadas, muitos cônjuges desertam dos compromissos assumidos, em nome do comodismo e da falsa liberdade.
Mal sabem que estão apenas adiando compromissos e que em futuras encarnações estarão sujeitos a recapitular experiências difíceis, talvez numa situação muito pior, ainda que em companhia de parceiros diferentes.
O casamento independe de formalismos, embora estes tenham sua utilidade do ponto de vista jurídico, mas o que prevalece mesmo é a união dos sentimentos do amor verdadeiro. Mola do progresso da Humanidade, cuja abolição teria por efeito “uma regressão à vida dos animais”, o matrimônio é compromisso que implica, obviamente, em responsabilidade de parte a parte.
Antes de fazerem uma escolha tão séria, os nubentes devem refletir maduramente, para que não venham a ser infelizes nem promovam a infelicidade de outras pessoas, principalmente dos filhos.
Inspirados na literatura espírita, erigimos a seguinte classificação para a vida a dois, a qual, sem ser absoluta, auxilia os casais a se auto analisarem, com vistas à superação dos problemas em comum: casamento de amor (afinidade máxima – almas em apurada sintonia: ditosos os raros casais que estiverem incluídos nesta categoria); casamento de fraternidade (casais felizes, bem entrosados, que superam os problemas com facilidade); casamento de sacrifício (em que há renúncia de um dos cônjuges, em geral mais evoluído, com o propósito de auxiliar na educação do Espírito retardatário); casamento acidental (uniões eventuais sem planejamento espiritual, em regra por interesses imediatistas, que não raro conduzem os parceiros a uma saturação mútua e a um isolamento que, em pouco tempo, deterioram a relação conjugal); casamento provacional (almas que se reencontram para reajustes necessários à evolução de ambos: nesta modalidade de união, não basta reparar o erro, suportar o cônjuge difícil; é preciso também superar barreiras, exercitar o amor, o carinho); e casamento expiatório (cônjuges com graves débitos no passado reencarnatório, de convivência difícil e problemática: fase que antecede o casamento provacional).
Terapeutas e psicólogos, com base em pesquisas bem orientadas, constataram que o casamento dura quando um admite que o outro tem qualidades e defeitos, hipótese em que é necessário aprender a “renunciar, suportar a existência de sentimentos contraditórios, tolerar”, e que “um dos momentos mais marcantes na relação duradoura é aquele em que, conscientemente ou não, o casal abdica do mito do parceiro ideal”.
Estudos antropológicos revelam também que “homens e mulheres pensam diferente, reagem diferente, têm diferentes expectativas, e, sem uma boa dose de compreensão e boa vontade mútuas, não há união que resista ao embate [das diferenças]”. 
No livro de auto-ajuda Homens são de Marte, mulheres são de Vênus, o terapeuta John Gray dedica-se a explicar algumas dessas diferenças, com o propósito de auxiliar os casais a se entenderem melhor.
Já a escritora espírita Dalva Silva Souza, conclui, na sua excelente obra Os Caminhos do Amor, que “o homem e a mulher, tanto na família quanto na sociedade, completam-se”, mas “o grande desafio está em se estabelecer uma interação harmoniosa que possibilite o equilíbrio”.
De fato, “o lar é o sagrado vértice no qual o homem e a mulher se encontram para o entendimento indispensável”, pois “é o templo onde as criaturas devem unir-se espiritual antes que corporalmente”. 
A superação desses problemas exige permanente trabalho de entrosamento entre os cônjuges, sob o pálio da caridade, consistente na compreensão, no perdão e na tolerância.
Estudando o Evangelho de Jesus, à luz dos ensinamentos do Espiritismo, o casal terá meios de detectar, com maior segurança, a origem de seus problemas e enfrentá-los com as armas da razão e do sentimento.
Para auxiliá-los nesse mister, a realização do Evangelho no Lar e as preces constituem, também, excelente terapêutica.
Inobstante as diferenças de personalidade entre o homem e a mulher, próprias das circunstâncias que os ligam ao corpo físico, não se olvide que, enquanto entidades espirituais, são rigorosamente iguais perante Deus e têm os mesmos direitos, tanto que podem reencarnar ora num sexo, ora em outro, condição em que, por força das leis naturais, exercem funções diferentes.
Como adverte o Espírito Emmanuel,“ partindo do princípio de que não existem uniões conjugais ao acaso, o divórcio, a rigor, não deve ser facilitado entre as criaturas”.
Contudo, o divórcio “não é contrário à lei de Deus, pois apenas reforma o que os homens fizeram e só é aplicável nos casos em que não se levou em conta a lei divina”.
Portanto, é um erro considerar a indissolubilidade do casamento uma lei natural, uma vez que “o divórcio é lei humana que tem por fim separar legalmente o que já está,
de fato, separado”.
Nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento, ao afirmar: “foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu que despedísseis as vossas mulheres”.
Muitas vezes, a separação é até mesmo necessária, para evitar que a experiência a dois se transforme numa tragédia e que um dos cônjuges ou ambos agravem os débitos contraídos em encarnações anteriores.
Em nosso Planeta de provas e expiações, o amor ainda é obra em andamento, que não se constrói com meras afirmações verbais.
Daí a necessidade das reencarnações, com o seu cortejo de experiências,a consolidar em nós, etapa por etapa, as virtudes que nos faltam para vivenciarmos integralmente as lições do Evangelho de Jesus, que nos legou exemplo inesquecível, independente do sexo e do estado civil das pessoas: “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”.
Que possamos, cada vez mais, enobrecer o casamento, contribuindo para o fortalecimento moral da família e da sociedade e preparando a Terra do futuro, para a vivência de elos de fraternidade pura, como já acontece nos mundos superiores.


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Christiano Torchi
Revista Reformador nº 2179 - Outubro de 2010


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sábado, 16 de outubro de 2010

EVITANDO OBSESSÕES


Não deixe de sonhar, mas enfrente suas realidades no cotidiano.

Reduza suas queixas ao mínimo, quando não possa dominá-las de todo.

Fale tranquilizando a quem ouve.

Deixe que os outros vivam a existência deles, tanto quanto você deseja viver a existência que Deus lhe deu.

Não descreia do poder do trabalho.

Nunca admita que o bem possa ser praticado sem dificuldade.

Cultive a perseverança, na direção do melhor, jamais a teimosia em pontos de vista.

Aceite suas desilusões com realismo, extraindo delas o valor da experiência, sem perder tempo com lamentações improdutivas.

Convença-se de que você somente solucionará os seus problemas se não fugir deles.

Recorde que decepções, embaraços, desenganos e provações são marcos no caminho de todos e que, por isso mesmo, para evitar o próprio enfaixamento na obsessão o que importa não é o sofrimento que nos visite e sim a nossa reação pessoal diante dele.


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Do livro Paz e Renovação
Chico Xavier/Espíritos Diversos

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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

CONSEQUÊNCIAS DO PASSADO - Parte II


11. Que acontece aos que impelem o próximo à falência moral?
- Se instilamos viciação e criminalidade em companheiros do caminho, asfixiando-lhes as melhores esperanças na desencarnação prematura, é certo que se corporificarão, de novo, na Terra, ao nosso lado, a fim de que lhes prestemos concurso imprescindível à reeducação, na pauta dos compromissos em que nos enredamos, ao precipitá-los nos enganos terríveis de que buscam desvencilhar-se, abatidos e desditosos.
Nas mesmas circunstâncias, carreamos em nós, enraizados nas forças profundas da mente, os bens ou os males que cultivamos.

12. E o que acontece aos desencarnados que malbarataram os tesouros da emoção e da idéia?
- Quando desencarnados não fugimos à lei de causa e efeito.
Se malbaratamos os tesouros das emoções  e dos pensamentos na Terra, deambulamos nas esferas espirituais por doentes da alma, que a perturbação ensandece, fadados a reaparecer no plano carnal com as enfermidades consequentes, a se entranharem nos tecidos orgânicos, que nos compõem a vestimenta física.

13. E àqueles que se entregam aos desequilíbrios do sexo?
- Nessas condições, o porvir esboça-se, nebuloso, apontando-nos graves lições de refazimento e resgate.
Se abraçamos desequilíbrios de sexo, agravados com padecimentos alheios por nossa conta, aguentamos inibições genésicas, muitas vezes, com o cansaço precoce e a distrofia muscular, a epilepsia e o câncer, de permeio.

14. E àqueles que perpetram crimes?
- Se perpetramos crimes na pessoa dos nossos semelhantes, ei-nos à frente de mutilações dolorosas.

15. E áqueles que se entregam às extravagâncias da mesa?
- Arcamos com ulcerações e gastralgias que persistem tanto tempo quanto se nos perdurem as alterações do veículo espiritual.

16. E àqueles que se afeiçoam ao alcoolismo?
- Se nos afeiçoamos ao alcoolismo ou ao abuso de entorpecentes, somos induzidos à loucura ou à idiotia seja onde for.

17. E àqueles que se empenham em delitos de maledicência e calúnia?
- Atravessam vastos períodos de surdez ou mudez, precedidas ou seguidas por distonias correlatas.

18. As consequências de nossos erros se verificam apenas na forma de doenças comuns?
- Não! Além disso, é preciso contar com probabilidade da obsessão, porquanto, cada vez que ofendemos os que nos partilham a marcha, atraímos, em prejuízo próprio, as vibrações de revolta ou desespero daqueles que se categorizam por vítimas de nossas ações impensadas.

19. Qual deve ser a nossa atitude perante as provas da vida?
- Diante das provas inquietantes que se demoram conosco, aprendamos a refletir, para auxiliar, melhorar, amparar e servir aqueles que nos cercam.

20. Quais as relações entre o presente, o passado e o futuro?
- Todos estamos no presente, com o ensejo de construir o futuro, mas envolvidos nas consequências do passado que nos é próprio.
Isso porque tudo aquilo que a criatura semeie, isso mesmo colherá.



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Do livro Leis de Amor - pelo espírito Emmanuel

Psicografia - Chico Xavier/Waldo Vieira

 




domingo, 10 de outubro de 2010

CONSEQUÊNCIAS DO PASSADO - Parte I


1. Como podemos compreender os resultados de nossas existências anteriores?
- Para compreender os resultados de existências anteriores, basta que o homem observe as próprias tendências, lutas e provas.

2. Como entender, na essência, as dívidas ou vantagens que trazemos de existências passadas?
- Estudos que efetuamos corretamente, ainda que terminados há longo tempo, asseguram-nos títulos profissionais respeitáveis.
Faltas praticadas deixam azeda sucata de dores na consciência, pedindo reparação.
Se plantamos preciosa árvore, desde muito, é natural venhamos surpreendê-la, carregada de utilidades e frutos para os outros e para nós.
Se nos empenhamos num débito, é justo suportemos a preocupação de pagar.

3. Qual a lição que as horas nos ensinam?
- Meditemos a simples lição das horas.
Comumente, durante a noite, o homem repousa e dorme, em sobre vindo a manhã, desperta e levanta-se com os bens ou com os males que haja procurado para si mesmo, no transcurso da véspera.
Assim, a vida e a morte, na lei da reencarnação que rege o destino.

4. Qual a situação moral da alma no túmulo e no berço?
- No túmulo, a alma, ainda vinculada ao crescimento evolutivo, entra na posse das alegrias e das dores que amontoou sobre a própria cabeça, no berço, acorda e retoma o arado da experiência, nos créditos que lhe cabe desenvolver, e nos débitos que está compelido a resgatar.

5. Em síntese, onde permanece, espiritualmente, a criatura reencarnada?
- Cada criatura reencarnada, permanece nas derivantes de tudo o que fez consigo e com o próximo.

6. Qual a explicação lógica das enfermidades congênitas?
- Os grandes delitos operam na alma estados indefiníveis de angústia e choque, daí nascendo a explicação lógica das enfermidades congênitas, ás vezes inabordáveis a qualquer tratamento.

7. O que ocorre aos suicidas nas vidas ulteriores?
- Suicidas que estouraram o crânio ou que se entregaram ao enforcamento, depois de prolongados suplícios , nas regiões purgatoriais, frequentemente, após diversos tentames frustrados de renascimento, readquirem o corpo de carne, mas transportam nele as deficiências do corpo espiritual, cuja harmonia desajustaram.
Nessa fase, exibem cérebros retardados ou moléstias nervosas obscuras.

8. E os protagonistas de tragédias passionais?
- Protagonistas de tragédias passionais, violentas e obscuras, criminosos de guerra, aproveitadores de lutas civis, que manejam a desordem para acobertar interesses escusos, exploradores do sofrimento humano, caluniadores, empreiteiros do aborto e da devassidão e malfeitores outros, que a justiça do mundo não conseguiu cadastrar, voltam à reencarnação em tribulações compatíveis com os débitos que assumiram e, muitas vezes, junto das próprias vítimas, sob o mesmo teto, marcados por idênticos laços consanguineos, tolerando-se mutuamente, até a solução dos enigmas que criaram contra si mesmos, atentos ao reequilíbrio de que se vêem necessitados, ou sofrem a pena do resgate preciso em desastres dolorosos, integrando o quadro inquietante dos acidentes em que se desdobre o resgate do espírito reencarnado, seja nos transes individuais ou nas provações coletivas.

9. E aos cúmplices de erros e enganos?
- As grandes dificuldades não caem exclusivamente sobre os suicidas e homicidas comuns.
Quantos se fizeram instrumentos diretos ou indiretos das resoluções infelizes que adotaram, são impelidos a recebe-los nos próprios braços, ofertando-lhes o recinto doméstico por oficina de regeneração.

10. O que ocorre àqueles que provocaram o suicídio de alguém?
- Se levianamente provocamos o suicídio de alguém, é possível que tenhamos esse mesmo alguém, muito em breve, na condição de um filho-problema ou de um familiar padecente, requisitando-nos auxílio, na medida das responsabilidades que assumimos, na falência a que se arrojou.


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Do livro Leis de Amor - pelo espírito Emmanuel
Psicografia - Chico Xavier/Waldo Vieira


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sábado, 2 de outubro de 2010

LIVRO MEDIÚNICO DE ARCEBISPO CATÓLICO


Recentemente foi lançado no mercado cultural um livro mediúnico trazendo as reflexões de um Padre depois da morte, atribuído, justamente, ao Espírito Dom Helder Camara, Bispo Católico, Arcebispo emérito de Olinda e Recife, tambem conhecido como o "Santo Rebende", desencarnado no dia 28 de agosto de 1999 em Recife, Pernambuco.
O livro psicografado pelo médium Carlos Pereira, da Sociedade Espírita Ermance Dufaux, de Belo Horizonte, causou muita surpresa no meio espírita e grande polêmica entre os católicos.
O que causou mais espanto entre todos foi a participação de Marcelo Barros, Monge Beneditino e Teólogo, que durante nove anos foi secretário de Dom Helder Câmara, para a relação ecumênica com as igrejas cristãs e as outras religiões.
Marcelo Barros secretariou Dom Helder Câmara no período de 1966 a 1975 e tem 30 livros publicados.
Ao prefaciar o livro Novas Utopias, do Espírito Dom Helder, reconhecendo a autenticidade do comunicante, pela originalidade de suas idéias e, também, pela linguagem, é como se a Igreja Católica viesse a público reconhecer o erro no qual incorreu muitas vezes, ao negar a veracidade do fenômeno da comunicação entre vivos e mortos, e desse ao livro de Carlos Pereira, toda a fé necessária como o Imprimatur do Vaticano.
É importante destacar,ainda, que os direitos autorais do livro foram divididos em partes iguais, na doação feita pelo médium, à Sociedade Espírita Ermance Dufaux e ao Instituto Dom Helder Câmara, de Recife, o que aliás, foi aceito pela instituição católica, sem nenhum constrangimento.
No prefácio do livro aparece também o aval do filósofo e teólogo Inácio Strieder e a opinião favorável da historiadora e pesquisadora Jordana Gonçalves Leão, ambos ligados a Igreja Católica.
Conforme eles mesmos disseram, essa obra talvez não seja uma produção direcionada aos espíritas, que já convivem com o fenômeno da comunicação, desde a codificação do Espiritismo; mas, para uma grandiosa parcela da população dentro da militância católica, que é chamada a conhecer a verdade espiritual, porque "os tempos são chegados"; estes ensinamentos pertencem à natureza e, conseqüentemente, a todos os filhos de Deus.
A verdade espiritual não é propriedade dos espíritas ou de outros que professam estes ensinamentos e, talvez, porque, tenha chegado o momento da Igreja Católica admitir, publicamente, a existência espiritual, a vida depois da morte e a comunicação entre os dois mundos.
Na entrevista com Dom Helder Câmara, realizada pelos editores, o Espírito comunicante respondeu as seguintes perguntas sobre a vida espiritual:


-Dom Helder, mesmo na vida espiritual, o senhor se sente um padre?
-Não poderia deixar de me sentir padre, porque minha alma, mesmo antes de voltar, já se sentia padre. Ao deixar a existência no corpo físico, continuo como padre porque penso e ajo como padre.
Minha convicção à Igreja Católica permanece a mesma, ampliada, é claro, com os ensinamentos que aqui recebo, mas continuo firme junto aos meus irmãos de Clero a contribuir, naquilo que me seja possível,para o bem da humanidade.


-Do outro lado da vida o senhor tem alguma facilidade a mais para realizar seu trabalho exprimir seu pensamento, ou ainda encontra muitas barreiras com o preconceito religioso?
-Encontramos muitas barreiras. As pessoas que estão do lado de cá reproduzem o que existe na Terra. Os mesmos agrupamentos que se formam aqui se reproduzem na Terra. Nós temos as mesmas dificuldades de relacionamento, porque os pensamentos continuam firmados, cristalizados em determinados pontos que não levam a nada.Mas, a grande diferença é que por estarmos com a vestimenta do espírito, tendo uma consciência mais ampliada das coisas podemos dirigir os nossos pensamentos de outra maneira e assim influenciar aqueles que estão na Terra e que vibram na mesma sintonia.


-Como o senhor está auxiliando nossa sociedade na condição de desencarnado?
-Do mesmo jeito. Nós temos as mesmas preocupações com aqueles que passam fome, que estão nos hospitais, que são injustiçados pelo sistema que subtrai liberdades, enriquece a poucos e colocam na pobreza e na miséria muitos; todos aqueles desvalidos pela sorte. Nós juntamos a todos que pensam semelhantemente a nós, em tarefas enobrecedoras, tentando colaborar para o melhoramento da humanidade.


-Como é sua rotina de trabalho?
-A minha rotina de trabalho é, mais ou menos, a mesma. Levanto-me, porque aqui também se descansa um pouco, e vamos desenvolver atividades para as quais nos colocamos à disposição. Há grupos que trabalham e que são organizados para o meio católico, para aqueles que precisam de alguma colaboração. Dividimo-nos em grupos e me enquadro em algumas atividades que faço com muito prazer.


-Qual foi a sua maior tristeza depois de desencarnado? E qual foi a sua maior alegria?
-Eu já tinha a convicção de que estaria no seio do Senhor e que não deixaria de existir. Poder reencontrar os amigos, os parentes, aqueles aos quais devotamos o máximo de nosso apreço e consideração e continuar a trabalhar, é uma grande alegria. A alegria do trabalho para o Nosso Senhor Jesus Cristo.


-O senhor, depois de desencarnado, tem estado com freqüência nos Centros Espíritas?
-Não. Os lugares mais comuns que visito no plano físico são os hospitais; as casas de saúde; são lugares onde o sofrimento humano se faz presente. Naturalmente vou à igreja, a conventos, a seminários, reencontro com amigos, principalmente em sonhos, mas minha permanência mais freqüente não é na casa espírita.


-O senhor já era reencarnacionista antes de morrer?
-Nunca fui reencarnacionista, diga-se de passagem. Não tenho sobre este ponto um trabalho mais desenvolvido porque esse é um assunto delicado, tanto é que o pontuei bem pouco no livro. O que posso dizer é que Deus age conforme a sua sabedoria sobre as nossas vidas e que o nosso grande objetivo é buscarmos a felicidade mediante a prática do amor. Se for preciso voltar a ter novas experiências, isso será um processo natural.


-Qual é o seu objetivo em escrever mediunicamente?
-Mudar, ou pelo menos contribuir para mudar, a visão que as pessoas têm da vida, para que elas percebam que continuamos a existir e que essa nova visão possa mudar profundamente a nossa maneira de viver.


-Qual foi a sensação com a experiência da escrita mediúnica?
-Minha tentativa de adaptação a essa nova forma de escrever foi muito interessante, porque, de início, não sabia exatamente como me adaptar ao médium para poder escrever. É necessário que haja uma aproximação muito grande entre o pensamento que nós temos com o pensamento do médium. É esse o grande problema de todos nós porque o médium precisa expressar aquilo que estamos intuindo a ele. No início foi difícil, mas aos poucos começamos a criar uma mesma forma de expressão e de pensamento, aí as coisas melhoraram. Outros (médiuns) pelos quais tento me comunicar enfrentam problemas semelhantes.


-Foi uma surpresa saber que poderia se comunicar pela escrita mediúnica?
-Não. Porque eu já sabia que muitas pessoas portadoras da mediunidade faziam isso. Eu apenas não me especializei, não procurei mais detalhes, deixei isso para depois, quando houvesse tempo e oportunidade.


-Imaginamos que haja outros padres que também queiram escrever mediunicamente, relatarem suas impressões da vida espiritual. Por que Dom Helder é quem está escrevendo?
-Porque eu pedi. Via-me com a necessidade de expressar aos meus irmãos da Terra que a vida continua e que não paramos simplesmente quando nos colocam dentro de um caixão e nos dizem "acabou-se". Eu já pensava que continuaria a existir, sabia que haveria algo depois da vida física. Falei isso muitas vezes. Então, senti a necessidade de me expressar por um médium quando estivesse em condições e me fossem dadas as possibilidades. É isto que eu estou fazendo.


-Outros padres, então, querem escrever mediunicamente em nosso País?
-Sim. E não poucos. São muitos aqueles que querem usar a pena mediúnica para poder expressar a sobrevivência após a vida física. Não o fazem por puro preconceito de serem ridicularizados, de não serem aceitos, e resguardam as suas sensibilidades espirituais para não serem colocados numa situação de desconforto. Muitos padres, cardeais até, sentem a proteção espiritual nas suas reflexões, nas suas prédicas, que acreditam ser o Espírito Santo, que na verdade são os irmãos que têm com eles algum tipo de apreço e colaboram nas suas atividades.

-Como o senhor se sentiu em interação com o médium Carlos Pereira?
-Muito à vontade, pois havia afinidade, e porque ele se colocou à disposição para o trabalho. No princípio foi difícil juntar-me a ele por conta de seus interesses e de seu trabalho. Quando acertamos a forma de atuar, foi muito fácil, até porque, num outro momento, ele começou a pesquisar sobre a minha última vida física. Então ficou mais fácil transmitir-lhe as informações que fizeram o livro.


-O senhor acredita que a Igreja Católica irá aceitar suas palavras pela mediunidade?
-Não tenho esta pretensão. Sabemos que tudo vai evoluir e que um dia,inevitavelmente, todos aceitarão a imortalidade com naturalidade, mas é demais imaginar que um livro possa revolucionar o pensamento da nossa Igreja. Acho que teremos críticas, veementes até, mas outros mais sensíveis admitirão as comunicações. Este é o nosso propósito.


-É verdade que o senhor já tinha alguns pensamentos espíritas quando na vida física?
-Eu não diria espírita; diria espiritualista, pois a nossa Igreja, por si só, já prega a sobrevivência após a morte. Logo,fazermos contato com o plano físico depois da morte seria uma conseqüência natural. Pensamentos espíritas não eram, porque não sou espírita. Sem nenhum tipo de constrangimento em ter negado alguns pensamentos espíritas, digo que cheguei a ter, de vez em quando, experiências íntimas espirituais.


Igreja - Há as mesmas hierarquias no mundo espiritual?
-Não exatamente, mas nós reconhecemos os nossos irmãos que tiveram responsabilidades maiores e que notoriamente tem um grau evolutivo moral muito grande. Seres do lado de cá se reconhecem rapidamente pela sua hombridade, pela sua lucidez, pela sua moralidade.Não quero dizer que na Terra isto não ocorra, mas do lado de cá da vida isto é tudo mais transparente; nós captamos a realidade com mais intensidade. Autoridade aqui não se faz somente com um cargo transitório que se teve na vida terrena, mas, sobretudo, pelo avanço moral.


-Qual seu pensamento sobre o papado na atualidade?
-Muito controverso esse assunto. Estar na cadeira de Pedro, representando o pensamento maior de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma responsabilidade enorme para qualquer ser humano. Então fica muito fácil, para nós que estamos de fora, atribuirmos para quem está ali sentado, algum tipo de consideração. Não é fácil. Quem está ali tem inúmeras responsabilidades, não apenas materiais, mas descobri que as espirituais ainda em maior grau. Eu posso ter uma visão ideológica de como poderia ser a organização da Igreja; defendi isso durante minha vida. Mas tenho que admitir, embora acredite nesta visão ideal da Santa Igreja, que as transformações pelas quais devemos passar merecem cuidado, porque não podemos dar sobressaltos na evolução. QueiraDeus que o atual Papa Ratzinger (Bento XVI) possa ter a lucidez necessária para poder conduzir a Igreja ao destino que ela merece.


-O senhor teria alguma sugestão a fazer para que a Igreja cumpra seu papel?
-Não preciso dizer mais nada. O que disse em vida física, reforço. Quero apenas dizer que quando estamos do lado de cá da vida, possuímos uma visão mais ampliada das coisas. Determinados posicionamentos que tomamos, podem não estar em seu melhor momento de implantação, principalmente por uma conjuntura de fatores que daqui percebemos. Isto não quer dizer que não devamos ter como referência os nossos principais ideais e, sempre que possível, colocá-los em prática.


-Espíritas no futuro?
-Não tenho a menor dúvida. Não pertencem estes ensinamentos a nossa Igreja, ou de outros que professam estes ensinamentos espirituais. Portanto, mais cedo ou mais tarde, a nossa Igreja terá que admitir a existência espiritual, a vida depois da morte, a comunicação entre os dois mundos e todos os outros princípios que naturalmente decorrem da vida espiritual.


-Quais são os nomes mais conhecidos da Igreja que estão cooperando com o progresso do Brasil no mundo espiritual?
-Enumerá-los seria uma injustiça, pois há base em todas as localidades. Então, dizer um nome ou outro seria uma referência pontual porque há muitos, que são poucos conhecidos, mas que desenvolvem do lado de cá da vida um trabalho fenomenal e nós nos engajamos nestas iniciativas de amor ao próximo.


Amor - Que mensagem o senhor daria especificamente aos católicos agora, depois da morte?
-Que amem, amem muito, porque somente através do amor vai ser possível trazer um pouco mais de tranqüilidade à alma. Se nós não tentarmos amar do fundo dos nossos corações, tudo se transformará numa angústia profunda. O amor, conforme nos ensinou o Nosso Senhor Jesus Cristo, é a grande mola salvadora da humanidade.


-Que mensagem o senhor deixaria para nós espíritas?
-Que amem também, porque não há divisão entre espíritas e católicos ou qualquer outra crença no seio do Senhor. Não há. Essa divisão é feita por nós, não pelo Criador. São aceitáveis porque demonstram diferenças de pontos de vista, no entanto, a convergência é única, aqui simbolizada pela prática do amor, pois devemos unir os nossos esforços.


-Que mensagem o senhor deixaria para os religiosos de uma maneira geral?
-Que amem. Não há outra mensagem senão a mensagem do amor. Ela é a única e principal mensagem que se pode deixar".



Livro: Novas Utopias
Autor: Dom Helder Câmara (espírito)
Médium: Carlos Pereira
Editora: Dufaux


"...quando dou pão aos pobres, chamam-me de santo, quando pergunto pelas causas da pobreza,  me chamam de comunista..." (Dom Helder Camara)*







Artigo recebido do Blog de Espiritismo
http://blog-espiritismo.blogspot.com/


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