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domingo, 14 de novembro de 2010

RELIGIÃO CÓSMICA DO AMOR


Toda crença religiosa que se firma no amor é digna de respeito e carinho.
O objetivo essencial da fé religiosa é dignificar a criatura humana, tornando-a melhor moralmente e preparando-a para desenvolver os valores espirituais que lhe dormem no íntimo.
Em razão do mergulho na matéria, o espírito aturde-se, e quase sempre olvida os compromissos assumidos na Espiritualidade, deixando-se comandar pelas manifestações do instinto que o ajudaram nos períodos remotos da evolução, mas que foram suplantados pelo discernimento e pela consciência, permanecendo somente aqueles que preservam a vida e dão sentido existencial.
Na neblina carnal, no entanto, a predominância da matéria, como é compreensível, dificulta o discernimento a respeito da finalidade da reencarnação, facultando que os sentidos físicos se direcionem para o prazer, para o gozo, para a satisfação das necessidades biológicas.
A consciência, no entanto, trabalha pela eleição do significado existencial, do equilíbrio emocional, do bem estar espiritual, alargando os horizontes da percepção para as conquistas relevantes e significativas que acompanharão o ser após o seu inevitável decesso tumular.
Por esses motivos, entre outros, a necessidade de uma religião que se expresse em lógica e praticidade, destituida dos aparatos e das fantasias, dos interesses sórdidos do comportamento material, faz-se imprescindível para enriquecer os seres humanos de beleza e de harmonia.
Isto porque a conquista da lógica, no longo roteiro evolutivo, impõe a necessidade de compreender-se tudo quanto se deseja vivenciar, a fim de constatar-se a sua resistência frente à razão em qualquer circunstâncias.
Assim sendo, não há mais lugar para qualquer tipo de crença religiosa que se apresente com manifestações totalitárias, eliminando a capacidade do crente de pesquisar, de aceitar ou não os seus postulados, sendo-lhe exigido crer sem entender.
É certo que ainda surgem segmentos religiosos fundamentados no fanatismo, geradores de lutas e intolerâncias, tentando impor-se pela força dos seus dirigentes políticos ou de outra espécie, mas não pela sua estrutura racional e profunda.
Naturalmente, ante o impacto do progresso, aqueles que lhes aderem ao comportamento, logo desenvolvem o senso  da razão e os abandonam, isso quando não lhes permanecem vinculados pelos frutos apodrecidos dos interesses materiais que lhes rendem prestígio, poder e recursos econômicos.
Nesse caso, sendo destituídas do sentimento do amor, de compreensão e de bondade, estando ausentes o respeito pelo próximo e pelo seu direito de acreditar naquilo que mais lhe convém e lhe felicita, essas estranhas doutrinas mais atormentam do que consolam, seduzindo grande fatia da sociedade que ainda permanece vitimada pelos atavismos, quando se fizeram poderosas e esmagaram aqueles que eram considerados adversários do comportamento enfermiço.
Foram essas religiões, trabalhadas pela força política e pelos impositivos da ignorância, que se encarregaram de afastar os fiéis das diretrizes do amor que conduz a Deus, abrindo espaço para os comportamentos agressivos e a revolta constante, facultando o desenvolvimento do materialismo e do niilismo, que lhes bloquearam a capacidade de crer e, por efeito, de abraçar os ideais de religação com a Divindade.
Nesse báratro, a misericórdia divina proporcionou à humanidade uma crença religiosa que atende perfeitamente ao mandamento maior e, ao mesmo tempo, conforta e tolera todos quantos não lhe dão guarida.
Trata-se do Espiritismo, que se fez a resposta eloquente do amor de Deus às criaturas ansiosas que lhe suplicavam diretrizes e oportunidade de crescimento, assim como de recursos pra a conquista da felicidade.
O Espiritismo, ademais de fundamentar-se no amor através da ação da caridade, é doutrina profundamente racional, que esclarece o aprendiz a respeito das razões da crença e da sua legitimidade, por estruturar-se na linguagem iniludível dos fatos.
Jesus, quando esteve na Terra, elegeu o amor como sendo a fonte de sabedoria e de iluminação mais poderosa que se pode conhecer.
Estabelecendo como essencial o amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, não renegou as crenças que predominavam na cultura de então, lamentando que as mesmas não possuíssem essa especial conduta, perdidas em aparências e cerimoniais que mataram o conteúdo essencial de que Moisés se fizera portador ao apresentar os Dez Mandamentos.
Neles estão inscritos, sem dúvida, os códigos éticos de alta magnitude, responsáveis pela ordem social e moral da humanidade, numa síntese que facultaria ao direito civil em muitos países fundamentar os seus postulados naquelas seguras regras de comportamento.
Jesus, complementando, porém, a propositura do amor, que de a sua doutrina se faz o reservatório inexaurível, transformou-o em código superior aos infelizes de todos os matizes, utilizando-se da ação da caridade como sendo a sua expressão mais elevada.
Todas as suas palavras fizeram-se revestir pelos sublimes exemplos, pelas ações, pelos fatos extraordinários que passaram à humanidade, confirmando-lhe o messianato, demonstrando ser ele o Embaixador de Deus, aquele que todos esperavam, mas preferiram não aceitar, porque ele feria de morte as paixões inferiores, os interesses mórbidos dos religiosos equivocados, que se compraziam em manter os crentes na ignorância, a fim de melhor explorá-los.
Por sua vez, ele sempre elucidava todos os enigmas que atormentavam as pessoas, explicando a necessidade do amor em todas as expressões: ao trabalho, ao dever, à família, ao próximo de toda procedência, mas acima de tudo ao Pai Criador.
Submeteu-se às arbitrariedades do poder temporal para demonstrar a sua fragilidade na sucessão dos tempos, especialmente diante da morte que a todos arrebata, modificando as estruturas do mundo e das próprias criaturas.
Jamais se permitiu ceder aos caprichos dos adversários da verdade, divulgando-a e vivendo-a nas situações mais ásperas e agressivas.
Com a sua visão superior, conhecia a fragilidade daqueles que se candidatavam ao ministério da sua palavra, tolerando-lhes a fraqueza moral, mas não anuindo com ela, de modo que anunciou O Consolador, que ele rogaria ao Pai enviar, a fim de que o rebanho não ficasse esparramado, sem diretrizes de segurança,  nos momentos difíceis do futuro que se apresentariam para a conquista da real felicidade.
E cumpriu a promessa, por ocasião do advento do Espiritismo.
O amor, realmente, deverá ser um dia a mais bela conduta, a mais significativa, a psicoterapêutica preventiva e curadora, tornando-se uma forma de religiosidade que fascinará a todas as criaturas.
Ao Espiritismo compete, portanto, o dever, através dos espíritas sinceros, de propagar os seus postulados, de divulgar as imorredouras lições do Evangelho, de demonstrar a excelência dos seus paradigmas, o alto significado de que se fazem instrumentos as comunicações espirituais, a magnitude da reencarnação, a convivência com o bem e a sintonia com o inefável amor de nosso Pai.
A Religião Cósmica do Amor, desse modo, no Espiritismo encontra o solo abençoado e fértil para apresentar-se e enflorescer-se, produzindo os frutos da felicidade a que todos aspiram, sem nenhuma desconsideração pelas demais que se fundamentem no Mandamento Maior, vivendo a tolerância e a caridade indiscriminadas.


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Espírito Joanna de Ângelis (página pisicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 13 de Junho de 2010, em Londres, Inglaterra)
Publicada na Revista Reformador de Outubro de 2010


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domingo, 6 de setembro de 2009

TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

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Quando nos sentamos para folhear a bíblia e meditarmos nos ensinamentos de Jesus vemos que naquele tempo existiam muitas pessoas que se aproveitavam da fé alheia, e mantinham o povo em total ignorancia.

Nos dias atuais muito pouca coisa mudou com relação a isso, vemos no dia a dia muitas pessoas serem enganadas, usam a "palavra de DEUS" de uma maneira distorcida adequando-a aos seus interesses escusos, vemos muita gente enriquecer com o "comércio das coisas de DEUS", vendem a salvação, a cura, a libertação e tudo o quanto podem.

Passaram-se mais de dois mil anos das andanças de Jesus pela Terra mas pouca coisa mudou mesmo com todas as advertencias e ensinamentos deixados por ele, sempre alertando da necessidade de darmos mais importancias as coisas espirituais que para as materiais.

Mas o homem confunde e inverte os verdadeiros valores, vemos lideres espirituais dizerem aos seus fiéis que se não prosperam financeiramente é porque tem alguma coisa errada em suas vidas, não tem fé suficiente, ou estão deixando brechas para o diabo, se o fiel não está podendo dizimar então o caso é mais sério ainda, medem se você é abençoado ou não pelo que você conquista ou deixa de conquistar.

Sendo que a verdadeira benção de DEUS é o desprendimento das coisas materiais, não quero com isso dizer que você não tem que lutar para conseguir a posição social, a ascenção profissional, o conforto e o bem estar, mas que jamais essas coisas podem servir de parâmentro para medir a sua bem aventurança e que você não pode ser dominado por elas.

Já vi pessoas dizerem que DEUS não vai com a sua cara exatamente por que não prosperam, outros perderem a fé e dizerem que DEUS não os ama exatamente por que incutiram em suas mentes esse ensinamento errôneo.

A verdadeira benção de DEUS é ver o nascer do sol a cada dia a mais que ele nos concede para que nos aperfeiçoemos e evoluamos em caridade, abnegação, humildade e amor ao próximo.

Ora, porque esses lideres religiosos que pregam a tal doutrina não vão nos lugares mais miseráveis desse país dizer para aqueles que lá vivem que se não prosperam é porque tem alguma coisa errada, por que falta-lhes fé, ou porque precisam de libertação? Porque não fazem isso lá na Etiópia com aqueles irmãos que não tem acesso a um prato de comida em seu dia a dia,? O que dizer então para eles com relação á prosperidade financeira?

Esses mesmos lideres não cansam de citar passagens bíblicas que apontam supostamente para a prosperidade material como uma benção de DEUS, mas é engraçado como esquecem de mencionar as palavras do Cristo que dizia que não tinha onde recostar a sua cabeça, ou seja, não possuía bem material algum. O que dizem esses lideres com relação a Cristo? Tinha alguma coisa errada com ele? também lhe faltava a fé? também precisava ser liberto?

E o que dizer dos apóstolos que também não temos notícia de terem sido prósperos?
Frâncisco Cândido Xavier (os livros que psicografou geraram uma fortuna e ele não fez uso de nenhum centavo), Madre Tereza de Calcutá, Bezerra de Menezes, Mahatma Ghandi e tantos outros irmãos que tiveram uma vida consagrada á caridade aos menos favorecidos e necessitados e que não prosperaram financeiramente, ou porque não quiseram ou porque seu tempo era voltado integralmente á caridade e ensinamentos, o que dizer deles? Não eram abençoados?

Vemos as pregações mais calorosas sempre relacionadas a prosperidade, faltam pregações de reforma intima, respeito e amor ao próximo, perdão, caridade e humildade que é exatamente do que o homem precisa para ser bem aventurado nesta vida e na vida futura.
E por falar em vida futura o que levaremos para o além-túmulo, a prosperidade ou todo o bem praticado em favor do próximo?

Não ensinam de cima de seus púlpitos o respeito á religião alheia, pelo contrário emitem julgamento e condenação com relação á elas, indo totalmente contra os ensinamentos de Jesus.

Pregam e não colocam em prática, ensinam e não vivem os ensinamentos mais importantes que são os de ordem moral tão insistentemente frisados por Jesus.

Essas palavras de Cristo foram ditas há mais de dois mil anos mas parece que foi ontem de tão atual:
"Este povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens" (Mt 15:8 e 9)


Ensinando doutrinas que são preceitos dos homens, pois Jesus nunca nos ensinou a buscar exclusivamente a prosperidade e sim buscar as coisas do alto, ele não nos incentivou a buscar o que era para o corpo e sim o que é para o espirito:
"Não ajunteis tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem destróem e onde os ladrões arrombam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde a traça nem a ferrugem destróem e onde os ladrões não arrombam e nem roubam. Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração" (Mt 6:19)

Quando prosperamos DEUS espera que usemos as nossas posses em auxílio aos menos favorecidos, vemos templos e mais templos religiosos serem construídos a cada dia mais luxuosos, e onde estão as creches, orfanatos ou asilos construídos ao invés de mais templos? Será por que nas creches, asilos e orfanatos não se pode cobrar os dizimos e ofertas abundantes que se cobram nos templos religiosos?

Tenhamos em mente que hoje estamos construindo o nosso amanhã, o ontem já se foi e não adianta ser lastimado, trabalhemos então para que no futuro não tenhamos do que nos lamentar.



PJC


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